Você gostaria de conhecer a Amazônia de verdade? Eu queria e comentava com os meus alunos, mas não sabia a aventura que seria. No final de maio de 2025, tive a oportunidade de compor a equipe de uma expedição do Instituto Oswaldo Cruz-Fiocruz, liderada pelo Dr Paulo Sérgio D’Andrea, a uma das áreas mais preservadas da Amazônia: o Parque Estadual do Chandless, em Manoel Urbano/AC.
Fomos estudar os pequenos mamíferos terrestres (roedores e marsupiais) e voadores (morcegos), os animais domésticos e a relação entre a caça de subsistência e zoonoses. A diversidade de atividades exigiu uma equipe multidisciplinar com representantes de instituições como a empresa Catraia Ambiental (Dr Rair Verde), IFAC (bióloga Vera), Fiocruz-PR (Dr Artur Velho), UFAC (Drs Thamyres e Jonathan), LABPMR – IOC/Fiocruz (Drs Camila, Michele, Rayque), SEMIL-SP (Helia Piedade), Fundação SOS Amazônia (Dr. Luiz Borges). Os trabalhos foram acompanhados pela servidora da SEMA/AC e gestora do parque, Jomara.
Em todas as atividades, tivemos o suporte fundamental dos moradores locais que nos ajudaram nas atividades de campo, compartilharam conhecimento e informações nas rodas de conversa, receberam as equipes em suas casas para entrevistas e exames dos cães domésticos, ajudaram na cozinha e funcionamento da sede, nos deslocamentos de barco.
Enquanto parte da equipe seguia para atividades de campo, o Luiz Borges e eu fizemos rodas de conversa e oficinas, incluindo o microscópio de sucata, com as crianças e adultos do parque falando sobre estudos já realizados ali. A Árvore da Vida discutiu a nossa proximidade com alguns animais e as doenças que compartilhamos com eles. Finalmente, a Trilha de Caça, sugerida pelo Prof Vicente Bessa (IFAC), revisitou as etapas de uma saída para a caça de subsistência, uma realidade comum na Amazônia, e os moradores identificaram os riscos envolvidos em cada procedimento desde a saída de casa, o processamento da carne (cortes), encontros com animais peçonhentos, aquisição de zoonoses.
Foi uma oportunidade única de conhecer um ambiente de Amazônia praticamente intacto, vivenciar a troca de saberes e a realidade dos moradores. Presenciei algo que tinha visto apenas nos livros e na TV: os deslocamentos de barco (navegamos por sete horas pelos rios Purus e Chandless para chegar à sede do Parque). Conheci uma dinâmica social diferente, com vulnerabilidade e a caça como uma necessidade para segurança alimentar. Ou seja, levamos algumas informações e aprendemos muito ao observar e ouvir os moradores. Foi uma aventura, mas valeu muito a pena.
O nosso país é muito interessante, não é mesmo? Se tiver a oportunidade de conhecer novos lugares, não hesite. Enquanto isso, viaje conosco aqui no blog, nas páginas do Desbaratando a Biologia e nos outros jornais. Sigamos adiante, Ao Infinito e Além…