Atuando inicialmente no RJ, com a reforma sanitarista de Oswaldo Cruz, a revolta da vacina e outros desdobramentos históricos, as ações do IOC e da Fiocruz, gradativamente, foram disseminando-se pelo interior do Brasil e chegando em locais desassistidos. Os pesquisadores que sucederam Oswaldo Cruz passaram a desbravar o Brasil profundo, indo aos locais em que o povo necessitado estava. Assim, Carlos Chagas esteve na Amazônia, em Minas Gerais e em tantos lugares pelo Brasil afora. Em Minas, seu estado natal, ele usou um vagão de trem como laboratório para descobrir uma nova doença, seu agente causador, o vetor e os reservatórios silvestres, um feito digno de um prêmio Nobel de Medicina que, infeliz e injustamente, nunca veio.
Contudo, nem Carlos Chagas e nem os pesquisadores que vieram depois dele estavam interessados na glória, mas principalmente na prestação de serviço, na justiça social, na troca dos saberes e na melhoria de qualidade de vida da população. Esse legado de 125 anos continua vivo com o Expresso Chagas XXI, com a Cartografia Social e tanto outros projetos e ações dos laboratórios e unidades da Fiocruz espalhados por todo o Brasil. E, baseado nele, a partir de 2023, tem ocorrido um movimento de interiorização e descentralização das atividades do IOC tal como ocorreu no início do século XXI com as universidades e institutos federais em um processo que levou o ensino médio técnico e superior a cidades e regiões antes desassistidas.
Em 2024, inspirado pelo Centro de Pesquisas em Bambuí/MG, criado por Carlos Chagas no início do século XX, começaram a ser concebidos e criados Centros de Estudos e Pesquisas do IOC com parceiros locais (prefeituras, institutos federais, universidades) no interior do Brasil. Estes centros podem formar recursos humanos, capacitar equipes, instrumentalizar instituições, promover estudos e troca de saberes visando a solução de problemas locais e a promoção da saúde. O processo começou após o Expresso Chagas XXI em Posse/GO, levando ao CEPAV-Chagas, expandiu-se para Rio Branco/Acre, com o CEPAB-Clima, para Limoeiro/CE, Campus dos Goytacazes/RJ e várias cidades por todo o Brasil.
Assim como o artista vai onde o povo está, o Instituto Oswaldo Cruz continua a ir aos locais em que o povo precisa de conhecimento, assistência, saúde e esperança. Como uma mãe que acolhe os filhos em seus braços, o IOC e a Fiocruz seguem com sua missão de abraçar o país e seu povo e, audaciosamente, adentrar o Brasil profundo. Parabéns ao IOC e à Fiocruz pelos seus 125 anos! Obrigado por tudo o que fizeram, fazem e ainda farão para o Brasil! Que as duas instituições tenham uma Vida longa e próspera e que venham mais CEPAVs, CEPABs e CEPAZes em todo o país!
Eu estou curioso para saber onde será aberto o próximo centro. E você? Fique conosco e descubra em primeira mão…