É um barbeiro ou só se parece com um?

Fonte da imagem: Acervo Fiocruz Imagens / Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Você já se perguntou como a Doença de Chagas é transmitida? Se há algum animal envolvido no ciclo da doença? Um deles é o barbeiro! Você já ouviu falar dele ou viu um desses insetos pessoalmente?

Antes de responder a essas perguntas, precisamos falar sobre o barbeiro. Esse é o nome popular dado aos insetos da subfamília Triatominae, que também podem ser conhecidos como chupão, procotó ou bicudo. Eles alimentam-se de sangue e, assim, transmitem o Trypanosoma cruzii, causador da doença de Chagas, dos mamíferos para o homem.

Beleza, agora eu sei o que, mas como eu vou saber identificá-lo? Existem algumas pistas que ajudam na identificação. A principal característica é o formato do aparelho bucal, que se parece com um “canudinho” logo abaixo da cabeça. No barbeiro, ele é reto, curto não ultrapassando o primeiro par de pernas. Já os percevejos predadores (que se alimentam de outros insetos), possuem o aparelho bucal é curvado e mais espesso, em formato de foice. E, existem ainda os percevejos que se alimentam de partes das plantas como folhas, seiva (lembra do inseto “Maria fedida”?). Eles possuem aparelho bucal fino e muito mais compridos, ultrapassando o primeiro par de pernas.

Geralmente, o barbeiro tem o corpo achatado quando não está alimentado. A coloração varia entre as espécies, mas muitas apresentam manchas claras, vermelhas, laranjas ou amarelas nas laterais do abdômen. Quando adultos, possuem asas bem evidentes. Vale ressaltar que nem todo barbeiro está infectado pelo Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas.

Existe uma espécie bastante conhecida no Cerrado e ao Centro-Oeste, Triatoma sordida, que pode ser encontrada em cascas de árvores, galinheiros, ninhos de aves, cercas e amontoados de madeira. Que interessante! Então quer dizer que esses insetos não são encontrados apenas nas regiões Norte e Nordeste?

Diversos mamíferos silvestres, como gambás, macacos e tatus, podem atuar como reservatórios do T. cruzi. Em algumas situações, a transmissão oral pode ocorrer pelo consumo de alimentos e água contaminados com fezes dos barbeiros.

Eu só tenho uma foto, e agora? A Fiocruz possui, no Portal da doença de Chagas, a ferramenta “Achou um barbeiro?”, que permite buscar orientações e utilizar fotografias para auxiliar na identificação. Mesmo assim, o mais seguro é encaminhar o inseto para Posto de Informação de Triatomíneos (PIT) ou procurar o serviço de vigilância em saúde do município.

Lembre-se de nunca tocá-lo diretamente! Utilize um saco plástico ou um par de luvas.

Gostou de saber como identificar um barbeiro? Então, acompanhe o nosso blog para saber mais. Esperamos você na próxima leitura!

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Bióloga, mestre em Biologia e doutoranda em Biociências e Saúde pela Fiocruz. Atua com pesquisa científica, educação, arte e temas relacionados à saúde e aos processos biológicos. O projeto de doutorado visa promover educação em saúde e reduzir a invisibilidade da doença de Chagas em Posse-GO, por meio de ações educativas em escolas e espaços comunitários, através do jornal “A Voz do Saruê” e oficinas de CienciArte.